Que tal sua casa virar uma galeria de arte?

A gente estava assistindo o programa do Barney & Friends, aquele dinossauro roxo, sabe? Então, o Nick curte bastante pois ele canta, dança e quer copiar as atividades que vê lá.

Outro dia a Baby Bop (uma dinossaura bebê verde) resolveu participar de uma exposição de arte junto com as crianças. Cada um fez uma pintura e depois levaram para o jardim para expor. Logo que acabou o episódio lá veio o Nick para mim. “Mamãe, tive uma ideia. Que tal a gente fazer um art show”? (atenção para as expressões que ele usa, copiando a mãe hahahaha)

Disse que era uma boa ideia e lá fomos nós, para o quintal com tintas de dedo laváveis, claro, e folhas A3 de papel. Ele se esbaldou. Fez nove obras, com impressões da sua mão, dos dedos, pintou a grama, o céu e o sol, misturou cores e por aí vai. Esperamos secar e penduramos cinco delas na nossa sala e na geladeira da cozinha, onde estão faz mais de dois meses – as outras quatro ele levou de presente para as professoras da escola.

A bagunça foi geral. Ele ficou com tinta no cabelo, roupa, rosto, braços, pernas… e eu também. A mesa e a cadeira também ficaram sujas. Mas a boa notícia é que foi super fácil de limpar. A gente entrou no banho, as roupas foram para a máquina e no resto bastou um lenço umedecido. Aliás, recomendo esta tinta lavável da Crayola para pintar com os dedos.

Enfim, fica a dica para mais uma brincadeira divertida, fácil e que pode ser rápida. Melhor ainda se anteceder a hora do banho, pois até os pequenos vão querer correr de lá para o chuveiro.

Arte na lareira

Arte na geladeira

 

(Aqui vai na íntegra texto que escrevi para o blog do site Bigo Club)

Infelizmente não foi dessa vez

23/12/2013: Dia de fazer o exame. Acordei cedinho e fui. Com medo, mas querendo achar que podia dar certo. Fiz o exame, cheguei em casa e fui arrumar o Nick para ir ao “daycare”. Levei ele à escola e voltei. Como não queria ficar ansiosa esperando o telefonema da enfermeira, resolvi fazer coisas da casa, para o Natal, e trabalhar no computador. Depois do almoço meu cellular tocou. “Alô, Alice, aqui é a enfermeira do RMA. Infelizmente não tenho boas notícias.” Eu sabia, no fundo eu sabia e já tinha ficado triste o que tinha que ficar. Não chorei, só aceitei. Quando tiver que ser, Deus vai mandar meu filho ou filha.

Sangramento de novo? Desanimei!

22/12: O programa do dia era levar o Nick para conhecer o Museu de História Natural em Nova York e encontrar um primo meu que estava na cidade e vem passar o Natal comigo. Mas já de manhã, apesar de não sentir nada, vi que um pouco de sangue estava saindo no papel higiênico quando fui fazer meu xixi matinal. Fiquei bem ressabiada, mas mesmo assim, me arrumei para irmos. Estávamos atrasados e correndo para pegar as coisas do Nick, arrumar mochila etc.

Quando fui fazer xixi antes de sair e pegar a estrada, vi que comecei a sangrar. Na hora me bateu um desânimo e, apesar de ter acontecido o mesmo na gravidez do Nick, minhas esperanças eram quase nulas. Na verdade, eu ficava me lembrando que já tinha acontecido isso comigo e que tinha ficado bem, mas não conseguia me animar de novo. Além disso, estava sentindo uma pontada no lado direito da barriga, como se fosse no ovário. Decidi deitar um pouco e meu marido disse que era melhor não irmos.

Mandei mensagem para o meu primo dizendo que estava atrasada e achava que não iria por causa de uma cólica. Ele não sabia que eu estava fazendo tratamento de fertilização e não ia explicar toda a situação por mensagem de texto do celular. Fiquei 10 minutos super desanimada no sofá até que disse para o meu marido que a gente tinha que ir. Que não ia adiantar nada eu ficar lá deitada, que eu só ia ficar pensando no assunto e não ia me fazer bem.

Lembrei que dá outra vez que me aconteceu isso, o médico havia dito que repouso não adiantaria. Então, pegamos tudo e saímos. Já na estrada mas ainda perto de casa a minha pressão baixou e comecei a não me sentir bem. Decidi que era mesmo melhor não ir para um passeio em que ia ficar andando o dia todo. Imagina eu passando mal no meio daqueles bichos empalhados e pegando um trânsito horrível para voltar para casa. Desisti. Avisei o meu primo e fomos almoçar no shopping. Eram 11h30 mas meu filho já estava com fome e pedindo comida.

Fomos no meu restaurante preferido e uns amigos foram nos encontrar lá. Comemos e foi muito gostoso para parar de pensar no assunto. Saindo de lá eu e meu filho estávamos exaustos. Chegamos em casa dormido. Coloquei ele no berço e fui para a minha cama. Duas horas depois, acordei melhor e mais conformada, mas não mais esperançosa. Descemos e ficamos brincando, mas evitei pegar meu filho no colo, deixando esta tarefa, bem como jantar e banho, para o meu marido. Aliás, enquanto eu dormia ele varreu e passou pano na casa, arrumou a cozinha e ainda lavou a garagem. Pode ser mais fofo que isso?

Serão efeitos colaterais da progesterona ou estou grávida?

19/12/2013: Peitos doendo e muito sono.

20/12/2013: Peitos doendo bastante, até quando cai a água do banho, e muito sono. Será a progesterona e o meu filho de 21 meses que estão me derrubando?

21/12/2013: Peitos ainda bem doloridos, chegam a pulsar, e muito sono. Ainda bem que meu filho dorme cerca de duas horas depois do almoço! Como disse para uma amiga, ou estou grávida ou essa progesterona está me dando todos os efeitos colaterais desta vez.

A espera que não termina

18/12/2013: Até hoje eu estava bem tranquila. Anteontem uma amiga minha me perguntou se estava ansiosa e disse que não. Realmente não estava. Horas depois ela me manda mensagem dizendo que o marido dela falou que eu estou mentindo. Hahaha. Por mais que pareça impossível, eu estava curtindo aquela espera. Na verdade falei para o meu marido que eu vi entrando um bebe na minha barriga (pelo ultrassom, claro) e não vi saindo. Então, até que me provem o contrário, estou grávida. Mas nessa madrugada comecei a ter uma cólica e aquela sensação de útero cheio (se é que você me entende) que a gente tem logo antes da menstruação descer. Aí, acordei e não consegui dormir. Já fiquei desanimada, mas logo no final da manhã, vendo que não desceu nada, fiquei mais tranquila.

Hoje à noite meus peitos começaram a ficar bem doloridos. “Bom sinal”, diz meu marido. Realmente é, mas a progesterona que estou tomando também pode deixar meu peito dolorido. Aliás, continuo aplicando três vezes por dia a progesterona Endometrim. Outro sintoma positivo é o sono e cansaço que estou. Mas também podem ser dos hormônios.

Agora me diz uma coisa, Deus podia ter criado sintomas diferentes de quando a gente vai menstruar e engravidar, né? E não devíamos ficar sentindo sintomas de gravidez se não estivéssemos, não acham? Será que dá para dar um “upgrade” nesta parte de sintomas ginecológicos, Deus? Pleeeease… Ia facilitar tanto a nossa vida e a nossa cabeça.

Bom, só me resta rezar e dormir.

A transferência do embrião

15/12/2013: Não bastasse a noite horrível, acordei às 5h da manhã para colocar 200mg de progesterona, o último hormônio antes da transferência. Estava apreensiva com a estrada e as ruas. Será que os caminhões já limparam a neve? Será que tem gelo na pista? Levantamos, nos arrumamos e conseguimos sair sem acordar o Nick. As ruas ainda estavam com uma mistura de neve e gelo, mas quando entramos na estrada que vai até quase a clínica, me deu um alívio. Agora sim podia relaxar. Íamos conseguir chegar a tempo, se não antes. No caminho consegui começar a respirar fundo e curtir o que estava por vir. Sabia que tinha que estar calma e que um momento importante como este a gente tem que curtir. Toda energia positiva era pouca. Minha respiração foi ficando mais longa e tranquila. Consegui rir, conversar e fazer planos com o meu marido. Às 6h estávamos lá, felizes e prontos para receber um bebê na minha barriga. Chegamos 15 minutos adiantados.

Na minha cabeça passava um filme da transferência do embrião que hoje atende pelo nome de Nick. Eu também estava calma, mas daquela vez fui acompanhada da minha irmã mais velha, visto que meu marido estava fora de São Paulo. Acho que a boa lembrança e a sensação foram me deixando ainda mais zen.

Fomos encaminhados à sala de espera do centro de transferência onde eu devia tomar de 300ml a 600ml de água. Detalhe: por algum motivo a cidade toda estava com falta de água, então do bebedor saíam fios de água que demoravam para completar um copo. E nesta sala foram chegando outras mulheres – que também deviam beber a água que não existia. A minha “vizinha” do dia da retirada, aquela que gritava “awesome”, estava lá. Me pareceu meio tensa. Mas ela é nova e provavelmente esta é a primeira vez dela. Se ela estava agitada e com medo da retirada, também devia estar agora.

Fui a primeira a ser chamada. Me levaram para um “quarto” só meu. De novo tive que colocar aquela camisola que tira a dignidade de qualquer um (por causa da abertura traseira). Mas estava frio lá dentro. Me enrolei na manta que estava lá e esperei. Primeiro veio uma enfermeira checar se minha bexiga estava cheia o suficiente.

Em seguida, entrou o acupunturista que iria me fazer uma sessão desta terapia à laser antes e outra depois da transferência. A ideia era estimular alguns pontos que aumentam o fluxo de sangue na região abdominal e possibilitam que o útero relaxe para evitar contrações que possam causar rejeição ao embrião. Segundo a enfermeira, a clínica fez uma pesquisa com mil mulheres e aquelas que fizeram esta acupuntura a laser tiveram uma taxa de sucesso 6% maior do que as que não fizeram.

Enquanto o terapeuta ia explicando como seria e os benefícios do procedimento, ele ia calmamente limpando óculos que ele, eu e meu marido teríamos que usar. Ele explicou que tudo seria muito rápido, pois a penetração do laser é muito profunda e só pode ficar 5 segundos em cada ponto. Nunca senti um relaxamento tão profundo num período tão curto de tempo. Ele saiu da sala e eu estava quase dormindo. Já tinha automaticamente ligado o modo “chocar”, como meu marido chama. Isto porque na minha primeira gravidez passei os três primeiros meses literalmente chocando o Nick, com as mãos na barriga e com cara de “nada mais me importa”.

A enfermeira veio checar minha bexiga mais uma vez e disse para ela que estava com um pouco de cólica. Havia falado para o acupunturista também, mas ambos falaram que era normal. Devia tentar deixar o pé mais quente, mas de qualquer forma com tanto hormônio, é normal ter uma cólica aqui ou ali.

Alguns poucos minutos depois, o médico entrou, junto com a enfermeira que carregava um aparelho de ultrassom e a embriologista que trazia consigo seu laboratório ambulante onde estavam meus embriões.

Logo que o médico chegou e se apresentou, começou a explicar que iríamos transferir um embrião e que teríamos dois para serem congelados – um que já passou pelo teste cromossômico e o outro que ainda iria passar. Mal ele terminou de falar, meu marido levantou e disse: “Minha mulher não quer saber o sexo deste embrião, mas eu quero.” No mesmo instante o médico sorriu, levantou e disse para ele se aproximar e ler no papel qual era o sexo. Eu nem olhei para o meu marido pois não queria ver o rosto dele e ficar imaginando se a cara que ele fez significava que era um menino ou uma menina. Mas o mais engraçado foi que o médico nos deu uma foto do embrião. “Aqui está a primeira foto dele ou dela”, disse. Fotos, aliás, que está guardadinha aqui comigo.

Em seguida a embriologista me chamou e pediu para eu confirmar meu nome na tela que reproduzia a imagem que ela estava vendo no microscópio. Era a identificação do embrião com o nome da mãe e pai. É muito interessante ver ela manuseando com a maior naturalidade o que pra mim estava entre as coisas mais preciosas.

Com tudo confirmado que a gente era a gente e o nosso filho, ou filha, estava lá, demos início ao procedimento. Eu continuava calma e tentava ficar assim e respirar tranquila. O que tiver que ser, será. Eu deitei, fiquei naquela posição ginecológica, o médico limpou o local a ser trabalhado, colocou aquele instrumento (bico de pato?) que possibilita que ele veja o cervix e deixou tudo preparado. Nesta hora a enfermeira já estava com o ultrassom na minha barriga. “Pronto”, disse o médico à embriologista. “Pode trazer o embrião.” Ela tira uma seringa com um cano flexível bem fino na ponta. Eu quase falei pra ela segurar com mais cuidado, tamanha a naturalidade (ou seria informalidade?) dela.

O médico colocou este catéter e chegou onde desejava, se guiando pela imagem do ultrassom. Nesta hora eu já estava de mãos dadas com o meu marido, só fazendo pensamento positivo e rezando. Um silêncio tomou conta do quarto quando ele achou o ponto certo para deixar o embrião. “Pronto, feito. Ele já está aí”, disse com um sorriso nos lábios. E acrescentou: “Boa sorte”, desejo este que tanto a embriologista e a enfermeira nos deram. O engraçado é que apesar delas fazerem isso diversas vezes por dia, elas pareciam bem sensibilizadas por estarem ajudando a fazer uma vida.

Em menos de um minuto, lá estava eu e meu marido sozinhos. E de novo entrou o acupunturista. Eu já estava chocando, relaxada, e assim pretendia ficar. Continuei deitada, ele aplicou o tratamento a laser e saiu. O médico havia dito que eu precisava ficar 20 minutos deitada e só. Na hora contei para meu marido que uma amiga nossa disse pro marido que ia ficar 30 minutos ou mais, ia esperar até que eles tirassem ela de lá. Acabei ficando mais de meia hora e a enfermeira entrou duas vezes para dar instruções e ver como eu estava. Ela brincou dizendo que ia tirar tudo de bom da minha vida nos próximos 10 dias pelo menos. Nada de álcool, cafeína, atividade física e sexo. Em compensação mandou eu rir bastante e tomar muita água. Disse que rir ajuda a relaxar os músculos e quem ri mais tem melhores chance de sucesso no tratamento de fertilização. Ótimo, pensei. Isso não será nada difícil.

Aí chegou a hora mais aflitiva. O primeiro xixi depois da transferência. Dá uma impressão que o seu filho vai sair naquele momento! Fiz com o maior cuidado. E desta vez foi menos estranho que na primeira fertilização. De lá, me vesti e subi para fazer exame de sangue, para checar estrógeno e progesterona. Pronto, missão cumprida. Agora a regra era chocar. Sim, mandar boas energias para a barriga, pedir para Deus e fazer o que fosse possível para aumentar as chances de gravidez.

O resto do dia foi tranquilo. Fomos na casa da nossa amiga pegar o Nick, que estava brincando super empolgado quando chegamos. Ficamos lá até meio-dia e fomos ao shopping almoçar no meu restaurante favorito – eu disse para meu marido que já estava com desejos hahaha. Depois fui para casa e fiquei descansando, dei uma boa dormida, e brinquei com o Nick. O jantar e o banho dele foram por conta do meu marido. Evitei neste dia pegar meu chumbinho de quase 12 quilos no colo. E fui deitar na cama logo depois que ele dormiu.

À noite, tomei o último comprimido de Medrol, o penúltimo Doxycycline e coloquei mais um supositório vaginal Endometrim, que vai continuar me acompanhando três vezes por dia até a décima semana de gravidez, se Deus quiser.

O dia anterior à transferência do embrião

14/12/2013: Hoje era dia de tomar café da manhã com o Papai Noel na academia. O café começava às 9h e a enfermeira da clínica devia me ligar entre 9h e 12h para dizer se eu tinha algum embrião bom para ser colocado manhã. Não tirei o olho do telefone durante o evento. Mas o telefonema só veio no final da manhã, um pouco antes de eu sair do evento natalino. “Bom dia, eu tenho seu nome aqui comigo com transferência de embrião agendada para amanhã às 6h15 da manhã”, a moça disse. Como assim? É isso o que ela tem a dizer? É assim que dá a notícia? Mas quantos embriões estão bons? E os outros, já eram ou ainda podem chegar no estágio “Blast”? Eu tinha muitas perguntas na cabeça, e fiz todas. Mas comecei pela mais simples. “Que bom”, respondi, “então quer dizer que temos embriões bons? Quantos?”. “Sim, parabéns, temos dois embriões bons para serem colocados amanhã. Eles passarão pelo teste cromossômico hoje a noite.” Na minha cabeça vinham mais perguntas: “como assim? Não foram testados ainda? Então tem chance deles não estarem bons?” Ela me explicou que o teste cromossômico só é feito depois que o embrião atinge o estágio “Blast” e que sim, tinha chance de algum ter um problema cromossômico. Mas que era muito difícil isso acontecer. “Agora sobre os outros embriões, a embriologista e o médico vão te explicar mais amanhã pois eu não tenho mais informações”, ela disse.

Okay, eu já fiquei feliz em ter dois embriões bons no quinto dia. Isso é igual ou melhor que na minha outra fertilização. Perfeito. Mas ela disse que tinha chance de outros chegarem na fase “Blast” ainda hoje e ter qualidade para ser congelado.

Quando desliguei o telefone, meu marido perguntou: “E daí? O que ela falou?” Eu só conseguia fazer um sinal de jóia com as mãos. Minha voz não saia e fiquei muito emocionada. Não sei o que deu em mim, mas estes hormônios me deixaram mais chorona. Quando o Papai Noel entrou no seu carrinho ginásio a dentro hoje cedo, meus olhos encheram de lágrimas. Só rindo mesmo. Nunca fui disso, mas um “boost” hormonal pode mudar tudo. Expliquei para meu marido depois, com a boca tremendo de quem vai chorar.

Ufa, que alívio, vamos fazer um “fresh cycle”, como chamam aqui. Ou seja, um ciclo em que o embrião é transferido “fresco”, sem ter sido congelado. Um obstáculo foi vencido, mas outro que estava me preocupando muito estava por vir.

A previsão era de muita neve para hoje e não sabemos como estarão as ruas e estradas amanhã, pois a neve e a chuva de gelo só devem parar de madrugada. E a gente tem que sair às 5h30 da manhã de casa. Não da nossa. Viemos dormir na casa dos anjos Gi e Elvis para que a gente não precise acordar o Nick no frio e tão cedo, e não precise acordar nossos amigos num domingo de madrugada. Então, a ideia é dormir lá, acordar, sair e o Nick ficar dormindo. Quando acordar, a Gi vai ficar com ele. O plano estava perfeito não fosse a neve.

Eu, super estrassada com isso, queria vir pra casa da Gi às 14h pois a previsão dizia que depois das 15h a neve ia apertar e só pioraria. Mas o Nick estava dormindo e meu marido também pois estava se sentindo mal com uma gripe querendo chegar. Eu estava tão inquieta com isso que meu marido mandou eu deitar e relaxar pois não podia ficar nervosa. Obedeci. Ele parecia certo de que conseguiríamos tranquilamente sair pela neve.

O Nick acordou às 17h e pouco. Meu marido acordou logo depois, com o baixinho chamando o pai. “Vamos?”, perguntei pra ele de forma que não conseguisse dizer não. Então arrumamos as malas e viemos. Saímos da garagem e a rua ainda estava cheia de neve. Na rua principal do condomínio o caminhão que remove a neve já tinha passado, mas ainda tinha bastante dela misturada com gelo. Quando chegamos no farol de saída/entrada do condomínio e vimos a situação que estava a estrada, meu marido falou que não daria para a gente vir. Estava muito perigoso. Muita neve e gelo, e ainda nevava bastante.

Respirei fundo e disse que não tinha jeito. Que a gente tinha que vir. Que se não fóssemos naquela hora, não conseguiríamos vir mais. Isso significava que ele teria que ficar em casa amanhã cedo com o Nick e eu ir sozinha. De maneira nenhuma. “Eu acho que a gente devia tentar ir bem devagar”, eu disse. E fomos. Em uma estrada cuja velocidade é 55mph, estávamos entre 25 e 30 mph. A visibilidade estava péssima. O percurso que a gente leva menos de 15 minutos foi feito em mais de 30. Mas chegamos e a neve não parava. Nossa, só de pensar em meu marido ter que tirar a neve do carro na madrugada seguinte antes de ir pra clínica, me deu preguiça. Então colocamos o nosso carro na garagem e a Gi deixou o dela para fora. Tudo esquematizado. Agora a neve tinha que ajudar. Lá pelas 23h, começou a chover gelo. Era o que faltava.

Antes de dormir, banho e mais um remédio: Metrogel.

Enfim, só consegui ir para a cama às 0h30.

PS: a noite foi longa pois o Nick acordou chorando à 1h45 e eu não consegui dormir direito preocupada com o tempo.

A espera pelos embriões bem sucedidos

10/12/2013: Bom dia! Os ovários ainda estão doendo, mas bem melhores do que ontem. Estou me sentindo melhor mas ainda não 100%. É de manhã e a enfermeira ligou. Dos 8 óvulos, 1 era imaturo, 7 foram fertilizados e 6 viraram embriões. Agora a espera começa. De terça a sábado eles se desenvolvem e no sábado me ligam dizendo quantos chegaram na fase que eles chamam de “Blast” (basto cisto) e que é a indicada para se fazer a transferência. Normalmente os embriões chegam nesta fase após o quinto, sexto ou sétimo dia da fertilização. Contudo, os médicos só aceitam fazer a transferência no mesmo ciclo daqueles que chegaram nesta fase “Blast” no quinto dia para transferir para o útero no dia seguinte. Isso porque é o prazo máximo para o corpo da mulher receber os embriões com menor taxa de rejeição. Depois disso, o corpo entende que a mulher não engravidou e, se transferido, a chance de rejeição é maior. Neste caso os embriões são congelados e transferidos no mês seguinte (após devido preparo com progesterona e tudo mais).

Fiquei feliz com a notícia. Mais uma vez ela se assemelha à minha outra fertilização: 7 foram inseminados e 6 viraram embriões. Mas na vez passada não consegui congelar nenhum pois os quanto que sobraram não chegaram nesta fase. E na clínica que fiz no Brasil ele tranferiram o embrião para mim no terceiro dia após a fertilização. Coloquei dois e um vingou – o Nick. Agora nos resta esperar, rezar e torcer.

Hoje também comecei a colocar os supositórios vaginais de progesterona. Este vem com aplicador e é mais fácil do que eu usei no Brasil, que colocava com a mão e parecia mais cremoso, então melecava mais a calcinha. Ou melhor, o protetor diário ou absorvente, visto que não dá para viver sem ele nesta fase.

Agora é esperar até sábado e segurar a ansiedade. Se bem que sou tranquila e estou com tanta coisa para fazer que acho que a semana vai passar rápido.

A retirada dos óvulos e o dolorido pós

9/12/2013: Algumas pessoas são como anjos nas nossas vidas, né? Hoje minha amiga Gi e seu marido Elvis não só cuidaram do meu filho Nick como cuidaram de mim. Nem tenho como agradecer. Mas explico para vocês.

Cheguei lá na casa deles às 6h15 e a Gi estava nos esperando, apesar do resto da casa estar dormindo. Armamos o berço portátil do Nick no quarto da filha dela, que estava liberado para a gente usar. Ao lado, ela tinha colocado um colchão de casal no chão. Consegui tirar o Nick do carro dormindo (mesmo neste frio de matar) mas ele acordou quando fui colocar no berço, coisa que raramente acontece. Aí deitei com ele no colchão, beijei ele e falei para ele dormir. É claro que ele ficou assustado por não saber o porquê estava ali. Então expliquei e, como ele adora a Gi, ficou deitadinho ao lado dela na cama. Chorou um pouco, mas logo que desci as escadas para ir embora ouvi que ele tinha parado de chorar. Fui tranquila.

Chegamos à clínica no horário marcado. Meu marido e eu fomos separados um do outro. Eu tinha que preencher papéis e ser preparada para o procedimento e ele tinha “o encontro com o potinho”, como ele chama carinhosamente a parte dele na fertilização.

Mas ele foi rápido. Logo depois que assinei os papéis e vesti aquela roupinha de hospital, ele chegou. Aliás, cá entre nós, por que é que eles fazem aquela camisola com abertura para trás? Toda vez que visto aquilo sinto que minha dignidade foi roubada. Ficar com o bumbum ao leo não é legal, nem faz bem para a auto-estima. Mas tudo bem. Tudo aquilo era por uma boa causa então vamos relevar.

A enfermeira, que me atendeu e veio explicar tudo, era um amor. E isso faz toda a diferença. Ela é tranquila e brincalhona, super alto astral. Como eu já tinha passado por aquilo, estava bem tranquila. Afinal, na minha primeira fertilização não senti nada durante nem depois do procedimento, a não ser uma pequena cólica que sumiu após me darem um medicamento mais forte. Antes de eu entrar na sala ainda deu tempo de trocar mensagens por celular com minhas amigas e rir um pouco. Fui bem tranquila, andando e já com o catéter na veia. Por ele que receberia o sedativo, a anestesia.

Não preciso dizer que nem sei o que aconteceu na sala e minha memoria só voltou quando já estava na minha salinha de recuperação, separada de outras pacientes somente por uma cortina, o que possibilita escutar os outros e ser escutada.

Ainda estou acordando quando ouço uma mulher falar alto do outro lado da cortina: “Wow awesome! Awesome!”. Na hora, achei engraçado mas não tinha nem forças para abrir os olhos. Mas a mulher não parava de gritar que tudo era incrível e que se soubesse que era tão fácil, que não doía, ela já teria feito isso antes e mais vezes. Aí percebi que ela devia estar afetada pela anestesia. Seu comportamento não estava nada normal. Ela perguntava para o marido/acompanhante quantos óvulos tinha e ele dizia que ela tinha tirado mil! Aí que ela não parou de falar “awesome” (incrível) por uns 3 minutos. O engraçado é que esta mesma mulher estava super nervosa antes de entrar para o procedimento e a enfermeira teve que dar uma abraço para acalmá-la. Nunca vi isso, mas achei curioso, para não dizer engraçado.

De repente me cutucaram e mandaram eu abrir os olhos. Tinha uma placa com o número 8. Pediram para eu ler. Falei “eight!” Mas o que é oito? Era o número de óvulos que conseguiram retirar para a fertilização. Depois meu marido me explicou que não voltei falando alto como a minha vizinha de sala de recuperação, mas cheguei perguntando algo como “au méni eg?, que foi se transformando em “how many eggs?” à medida que minha língua foi deixando de ficar tão mole por causa do sedativo. Eu perguntei tanto que resolveram escrever num papel e me mostrar. Hahaha

Eu estava cansada, só queria dormir. Mas estava feliz com o número. Na minha primeira fertilização, retirei 7 óvulos e seis foram fertilizados. E nasceu a coisa mais preciosa da minha vida do “melhor” deles. Então, tudo pode se repetir.

Me deixaram dormir um pouco mais e me esquentaram com cobertor pois estava com muito frio. Dormi até que a cólica começou a bater e a enfermeira me disse que eu precisava tentar sentar na cama para comer algo pois ela precisava me dar remédio para cólica. Aí veio a pergunta que eles adoram fazer por aqui: “de 1 a 10, qual é o nível da sua dor? Sendo 1 o mais leve e o 10 a maior dor da sua vida.” Ah, fala sério, nunca soube responder isso. Como estou acostumada com cólica resolvi falar que era tipo 2. Então ela me disse que daria 2 Tylenol Extra Forte. Achei bom. Comi bolachinhas, tomei dois sucos gostosos de cranberry e depois o remédio. A cólica foi aumentando e junto veio uma sensação de barriga dolorida. Me deram compressa quente para colocar. Fiquei mais um tempo e resolvi ir embora. Ainda não estava me sentindo bem, pois a barriga estava dolorida demais. Mas queria ver o Nick. Então fomos para a casa da Gi.

Antes de sair, mais instruções: “hoje à noite você começa o antibiótico Doxycycline 100mg e o Medrol 16mg. A partir de amanhã, você toma o primeiro duas vezes ao dia, o segundo uma vez à noite, ambos por sete dias, e começa a aplicar o supositório vaginal Endometrin 100mg 3 vezes por dia. A enfermeira vai te ligar amanhã dizendo quantos óvulos foram fertilizados e depois disso você só vai ouvir notícias nossas no sábado cedo, para confirmar se você tem embriões prontos para serem transferidos no domingo.” Ok, eu estava tão zonza que o que captei era que tinha que tomar os remédios e esperar que iam me ligando para dar as próximas instruções.

Chegamos na casa da Gi e, como esperava, o Nick estava ótimo e fazendo a maior bagunça. Como eu não estava muito bem, com dor no abdômem, perguntei se podia passar o dia lá com ela, visto que meu marido tinha que trabalhar pois era o dia que ele voltava das férias. Fiquei deitada na sala, com coberta e bolsa quente na barriga. A Gi fez almoço para a gente, cuidou do Nick e ainda ficamos conversando. Foi muito gostoso e, com certeza, amenizou um pouco as cólicas. Mas realmente esta fertilização está sendo mais dolorida que a primeira.

Viemos para a casa no fim do dia, depois que meu marido passou lá e nos pegou. Chegamos em casa e eu deitei. Ele acabou de fazer o jantar pro Nick e pra gente, deu banho no Nick, colocou o baixinho na cama e ainda está cuidando de mim. Marido a gente não enaltece muito pois sempre aparecem interessadas hahahaha brincadeiras à parte, ele realmente é nota 10.

E assim terminou meu dia: com um saldo de 8 óvulos e uma barriga dolorida por ter tido os ovários cutucados e pelo fato deles estarem bem maiores do seu tamanho natural, o que leva duas semanas para voltarem ao tamanho normal. Para isso, contudo, a ordem é tomar bastante líquido e, se possível, bebidas como Gatorade ou outras que têm “electrolytes”.

Agora vou tomar o Doxycycline e o Medrol acompanhados por um leite e pão, e boa noite!

Se preparando para a retirada dos óvulos

8/12/2013: Acordei cedo neste domingão e fui para a clínica, animada. Cheguei lá, tirei sangue e a médica do ultrassom disse que estava tudo como o esperado e que provavelmente teriam 9 ou 10 óvulos. Fiquei contente, afinal, da outra vez tirei só 7. Será que foi o tal do “primer” que deu um “boost” nos folículos?

No fim da manhã a enfermeira ligou. As instruções foram as seguintes: “hoje você não toma injeção nenhuma e não pode comer nada nem beber nada depois da meia noite. Amanhã você tem que chegar às 7h, de jejum total e não pode usar nenhum cosmético com fragrância. E seu marido pode parar esta noite com o antibiótico”, ela me disse.

Mensagem entendida. Agora, precisava confirmar pela última vez com minha amiga que ficará amanhã com o Nick, meu filho de um ano e nove meses. Para estar na clínica as 7h, teria que deixá-lo às 6h15 na casa dela e imagino que tenha que ficar um pouco com ele lá se ele estiver acordado. Como ele adora esta amiga e os filhos dela, não terei problema. Mas uns 15 minutinhos a mais nunca é demais, né?

E como o clima de Natal já está com tudo, resolvi dizer para o meu filho que pedi para o Papai Noel um neném. Agora é rezar para que o bom velinho satisfaça o meu desejo.

Antes de dormir, às 23h, resolvi fazer um lanchinho para aguentar o meu jejum. Boa noite!